Kizomba

Há uma dança quente e sensual que tem penetrado o mundo musical, uma dança que parece poder acompanhar ritmos de reggaeton mas com movimentos tão elegantes como o tango, sendo ao mesmo tempo romântica e voluptuosa. A Kizomba, dança angolana mas que foi adoptada por vários outros países africanos, espalhou-se pelo mundo e tornou-se um marco da cultura pop, influenciando artistas das mais variadas origens. Talvez por se ter internacionalizado tanto poucas pessoas conhecem a sua história e as pessoas que inventaram este estilo de dança, confundindo-o com o Zouk das Antilhas e ignorando a sua vertente lusófona. Continue a ler para descobrir tudo sobre a Kizomba!

 

De onde surgiu a Kizomba?

 

A kizomba surgiu de uma mistura de danças e ritmos tradicionalmente angolanos que estavam presentes em festas nos anos 50 e 60, conhecidas como kizombadas, onde os ritmos latino-americanos e europeus fundiam-se com danças africanas. A palavra Kizomba significa “Festa” na língua angolana Kimbudu e a dança kizomba propriamente dita retira grande parte da inspiração a nível de movimentos de uma dança angolana posterior chamada semba, principalmente a união pela cintura entre o homem e a mulher dançarinos e os movimentos sensuais que se seguem. À medida que o semba se foi tornando mais lento e ousado, promovendo a intimidade e o romance entre os jovens, a kizomba foi surgindo como uma dança à parte, mais livre e sem limites.

No entanto, foi apenas na década de oitenta, com os grupo musicais “Os Fachos” e “SOS” que a kizomba começa a individualizar-se como estilo de dança. A mudança de um dos membros do grupo “SOS” para Portugal, chamado Eduardo Paim, levou a que a kizomba começasse a ser conhecida também em terras lusas, iniciando-se a sua internacionalização.

Quais são os estilos da Kizomba?

 

A estrutura musical da kizomba é relativamente simples (4/4), deixando a criatividade aos dançarinos e providenciando-lhes uma batida para marcar os movimentos. A batida forte é feita através do Surdo (ou timbalão de chão), acompanhado por uma melodia dada pelo chimbal e bateria. Actualmente, a Kizomba também tem grande influência da música electrónica.

Rotações de ancas coordenadas entre os dois dançarinos, uma grande aproximação de corpos, movimentos lentos e sensuais, tudo promove uma grande cumplicidade entre o casal, que se vai entregando um ao outro consoante a batida inebriante. A kizomba é uma dança de grande intimidade e alegria, podendo tornar-se mais ou menos intensa consoante a experiência e a ousadia dos dançarinos. Existem quatro estilos na kizomba, dos quais a “passada” corresponde ao estilo clássico descrito acima.

Depois, existe a “tarraxinha”, a vertente mais intensa da kizomba. A melodia é praticamente apagada e sente-se apenas a batida forte. Os movimentos também se tornam mais intensos e os corpos colam-se um ao outro. A “ventoinha” imita precisamente os movimentos circulares, da esquerda para direita ou direita para a esquerda, do objecto que lhe dá o nome. Normalmente, é a mulher quem é responsável por se mover. Finalmente, temos a “quadradinha”, em que as senhoras desenham um quadrado com as ancas e as nádegas, colando o corpo ao do homem.

 

Quais são os passos base da Kizomba?

 

Independentemente do estilo de Kizomba, existem passos base que se repetem e que formam a estrutura da dança. A posição inicial é semelhante à do tango, devido à proximidade dos corpos. Os joelhos encontram-se ligeiramente flectidos para permitir movimentos verticais e horizontais em todas as direcções.

Os dançarinos dançam em duas posições alternadas em relação um ao outro. Na primeira posição, com os joelhos fletidos, os dançarinos estão de frente, as duas mãos entrelaçadas, o homem com o braço em redor da cintura da mulher e a mulher com o braço em redor dos ombros do homem. Depois, a senhora muda ligeiramente a direcção da cara para a direita e alonga a perna para fora, fazendo a perna varrer o chão. Conta-se quatro passos e há um movimento da anca – estes passos são os mesmos da bachata, uma dança dominicana, também semelhante ao tango. Ao movimento da anca, aliam-se os movimentos pélvicos, uma leve ondulação do corpo cuja coreografia pode posteriormente mudar, consoante o estilo de kizomba que se preferir dançar e a intimidade que se quiser criar com o outro dançarino/a.

Quais são os músicos mais famosos?

 

Os músicos da Kizomba são homenageados anualmente nos Kizomba Music Awards, um concurso realizado pelo site “MaisKizomba”. O artista mais conhecido actualmente e que conseguiu ganhar destaque no mainstream é Anselmo Ralph, cantor originário de Luanda mas muito popular em Portugal. Misturando elementos de Kizomba e de R&B, o seu sucesso estrondoso e a presença assídua na televisão portuguesa tornaram-se o artista mais reconhecido do género.

Contudo, existem vários outros músicos africanos ou afrodescendentes famosos em todo o mundo lusófono. Os Irmãos Verdade, que começaram a sua carreira como dançarinos e que foram criados em subúrbios lisboetas, são um exemplo. C4, um outro cantor de origem angolana mas que cresceu na Bélgica, mostra o impacto que a Kizomba tem na comunidade imigrante. A representar o lado feminino temos Ary, admirada pela qualidade da sua voz e pelas suas performances únicas em palco, e Pérola.

Além destes, há centenas de músicos de Kizomba, coreógrafos e DJs espalhados pelo mundo todo. A Kizomba tem, obviamente, o seu expoente máximo em Angola, onde existem festivais e discotecas completamente devotados a este tipo de dança e onde existe toda uma indústria musical virada para a promoção deste estilo musical.

Por Portugal e por outros cantos do mundo lusófono, está na hora da Kizomba ir além da comunidade afrodescendente e passar a ser reconhecida como a dança única que é, uma dança que é preciso ter coragem, autoconfiança, ritmo e muita sensualidade para conseguir dançar na perfeição.

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